Estamos há poucos dias da cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Futebol, que, apesar de formalmente também ter como coanfitriões o México e o Canadá, terá 75% de seus jogos realizados nos EUA.
Os EUA, autodenominados como a “Terra da Liberdade”, pela
história de sua independência e tradição de acolhimento de imigrantes e seu
Presidente Donald Trump, laureado pela FIFA com o Troféu da Paz, não tem se
mostrado anfitriões tão acolhedores.
Em poucos dias tivemos o registro de vários atos de
hostilidade quanto a participantes do torneio de futebol:
- O IRÃ teve sua seleção impedida de se hospedar nos EUA e parte de sua delegação teve o visto de entrada negado;
- O principal ídolo do IRAQUE foi interrogado por 7 horas em sua entrada no país;
- As delegações do SENEGAL e UZBEQUISTÃO foram constrangidas a uma revista pessoal de todos os seus membros na pista de aeroportos;
- Um árbitro da SOMÁLIA, eleito o melhor da África, foi impedido de entrar no país, mesmo com visto válido e
- Torcedores do IRÃ, às vésperas da abertura do torneio, tiveram seus ingressos desmotivadamente revogados.
Vemos a atuação de um verdadeiro estado policialesco, com
foco na vigilância, característico de autocracias.
No índice V-DEM, reconhecido projeto de pesquisa da
Universidade de Gotemburgo, com um dos maiores e mais sofisticados bancos de
dados sobre democracia do mundo, os EUA já são classificados como uma
democracia eleitoral (ou formal), estando com avaliação abaixo do Brasil, sendo
que a classificação mais elevada é do grupo dos países que integram o grupo da
chamadas Democracias Liberais, demonstrando que as recentes práticas de governos
estadunidenses vem causando regressos nos direitos de seus cidadãos e corrosão
à sua democracia.
A Copa do Mundo, assim como diversos outros eventos esportivos,
são momentos de festa e congratulação entre as nações e culturas de nosso mundo
que não combinam com discriminações e perseguições de qualquer tipo.
As ações dos EUA são lamentáveis e, infelizmente, estão
recebendo a conivência expressa da FIFA, o que deve tirar o brilho esperado do
evento.
Aguardemos os próximos capítulos…
P.S.: Jesse Owens, atleta negro norte americano, disputou e
ganhou medalhas nas Olímpiadas de 1936 em Berlim, durante o regime nazista
alemão, não tendo sido submetido aos constrangimentos que, atualmente, o
governo dos EUA infligem a representantes de diversas nações.

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