terça-feira, 9 de junho de 2026

A Copa do Mundo na Terra da Liberdade.

Estamos há poucos dias da cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Futebol, que, apesar de formalmente também ter como coanfitriões o México e o Canadá, terá 75% de seus jogos realizados nos EUA.

Os EUA, autodenominados como a “Terra da Liberdade”, pela história de sua independência e tradição de acolhimento de imigrantes e seu Presidente Donald Trump, laureado pela FIFA com o Troféu da Paz, não tem se mostrado anfitriões tão acolhedores.

Em poucos dias tivemos o registro de vários atos de hostilidade quanto a participantes do torneio de futebol:

  •   O IRÃ teve sua seleção impedida de se hospedar nos EUA e parte de sua delegação teve o visto de entrada negado;
  •   O principal ídolo do IRAQUE foi interrogado por 7 horas em sua entrada no país;
  •    As delegações do SENEGAL e UZBEQUISTÃO foram constrangidas a uma revista pessoal de todos os seus membros na pista de aeroportos;
  •    Um árbitro da SOMÁLIA, eleito o melhor da África, foi impedido de entrar no país, mesmo com visto válido e
  •   Torcedores do IRÃ, às vésperas da abertura do torneio, tiveram seus ingressos desmotivadamente revogados.
Temos, também, a promessa do reforço das equipes do ICE nos estádios durante os jogos da Copa.

Vemos a atuação de um verdadeiro estado policialesco, com foco na vigilância, característico de autocracias.

No índice V-DEM, reconhecido projeto de pesquisa da Universidade de Gotemburgo, com um dos maiores e mais sofisticados bancos de dados sobre democracia do mundo, os EUA já são classificados como uma democracia eleitoral (ou formal), estando com avaliação abaixo do Brasil, sendo que a classificação mais elevada é do grupo dos países que integram o grupo da chamadas Democracias Liberais, demonstrando que as recentes práticas de governos estadunidenses vem causando regressos nos direitos de seus cidadãos e corrosão à sua democracia.

A Copa do Mundo, assim como diversos outros eventos esportivos, são momentos de festa e congratulação entre as nações e culturas de nosso mundo que não combinam com discriminações e perseguições de qualquer tipo.

As ações dos EUA são lamentáveis e, infelizmente, estão recebendo a conivência expressa da FIFA, o que deve tirar o brilho esperado do evento.

Aguardemos os próximos capítulos…

P.S.: Jesse Owens, atleta negro norte americano, disputou e ganhou medalhas nas Olímpiadas de 1936 em Berlim, durante o regime nazista alemão, não tendo sido submetido aos constrangimentos que, atualmente, o governo dos EUA infligem a representantes de diversas nações.

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