quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aos derrotados o ostracismo?


A palavra ostracismo, hoje utilizada como sinônimo de esquecimento, em geral, ou isolamento de determinado político, remonta da Grécia Antiga, mais especificamente de Atenas, onde se constituia de uma punição de expulsão política com banimento por dez anos, como forma de evitar o retorno da tirania.
No Brasil, após a derrota em uma eleição, é comum aos experts, de forma apressada, impingir ao candidato derrotado a pena de ser relegado ao ostracismo, pelo simples fato de ficar sem mandato eletivo no período compreendido entre as eleições.
Tal superficialismo, na análise da conjuntura política de nosso País, não prevê ação política fora dos tradicionais centros de poder e longe de mandatos eletivos, desprezando, dentre outras, as organizações do terceiro setor, cada vez mais bem organizadas e mobilizadas, bem como o fato de nossa cultura ainda estar vinculada ao personalismo político.
Tomemos por exemplo a biografia de um candidato derrotado à Presidência da República duas vezes, mas que em sua trajetória ocupou os postos de Deputado, Senador e Ministro de Estado, pode-se dizer que as derrotas em suas candidaturas presidenciais reservaram para o nome deste personagem um lugar no segundo plano na história de nossa Nação.
Todavia, suas ideias e o afinco com que as defendeu e difundiu fizeram-no um dos maiores brasileiros de todos os tempos.
O personagem em questão é o brilhante Ruy Barbosa, o "Águia de Haia".
Por outro lado, poucos se recordam os nomes dos políticos que o derrotaram em suas empreitadas presidenciais, que se diga de seus posicionamentos ideológicos.
A verdadeira força de um nome não provem simplesmente do poder que detém transitoriamente, mas, principalmente, de seus ideais e de sua coerência ao buscar colocá-los em prática, mesmo que nem sempre concordemos com a totalidade de sua essência.
Alguns terão seus nomes em listas cronológicas, outros terão seus ideais em constante evolução, demonstrando que a derrota, pontual e aparente, ainda será submetida ao crivo sereno e desapressado da História, a qual, verdadeiramente, decidirá os que serão postos no ostracismo.
Em tempo: Só para registro, Ruy Brabosa foi derrotado em 1894 por Prudente de Morais, ficando em 4º lugar, e em 1919 por Epitácio Pessoa, sendo 2º colocado.

Um comentário:

  1. Fábio de Sousa Camargo10 de novembro de 2010 às 23:06

    Tio, ótimo comentário e muito pertinente para o momento.

    De fato, este "título" é imposto a todos os candidatos perdedores (em quaisquer cargos, independentemente se no poder público ou não, como é o caso da Maçonaria e outras instituições paralelas) que de alguma forma são preteridos em uma eleição.

    Para minha surpresa (e com certeza da de muitos outros leitores) Ruy Barbosa foi exemplo, muito embora ainda seja um dos juristas mais renomados e influentes do Brasil e no mundo.

    Devemos usar estas experiências para evoluir e evitar os mesmos erros, afinal, O mais importante é o conhecimento e é ele que devemos buscar sempre!

    Gostei do blog... está de parabéns.

    Abçs, tio.

    Fábio de Sousa Camargo

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